Sunday, January 18, 2009

Iglu

Eu sei que boa parte de vocês estão bem curiosos pra saber como é meu grandioso castelo. Mas antes preciso fazer uma pequena introdução sobre como vim parar aqui e sobre meu bairro.

Depois de uma longa pesquisa (1 semana antes de vir pra cá :P) imobiliária, comparando preços e proximidade do metrô (muito importante pra quem acaba de chegar aqui e não pretende ter carro tão cedo), acabei conhecendo o Eduardo, antigo morador deste apê e que estava indo pra outro maior e um pouco mais afastado do centro de Montreal. Depois de alguma negociação (bem desesperada da minha parte), na véspera da minha viagem fechei um acordo verbal com ele, já que o preço e a proximidade do metrô, o que eram mais importantes, eram excelentes.

No dia da minha chegada conheci o Eduardo pessoalmente. Combinamos a data da mudança (1 semana depois), já que eu estava de entruso na casa da Cristina (que tinha me hospedado também da 1ª vez que eu vim pra cá, em 2006), e hoje cá estou, neste belíssimo palácio.
O bairro aqui, o Beaudry, é uma piada à parte. Como alguns já estão sabendo, este é o bairro... como diria... tricolor da cidade. Mas fiquem tranquilos que continuo muito corinthiano, beleza? :)

A começar pela estação do metrô, com todo o simbolismo característico, quase todos os estabelecimentos da redondeza possuem aquela bandeirinha são-paulina na entrada, ou um bandeirão na fachada. Outros, tipo algumas discotecas, nem precisam de sinalização. Pelo menos ficam quase todas na Saint Catherine, que é a principal avenida de comércio da cidade e que percorre todo o centro. Paralela a esta avenida tem a Mesoneuve, que também percorre todo o centro, mas que, aqui perto, fica fechada durante o verão para que os bares e restaurantes (que são muito bem recomendados, por sinal. Só não tenho coragem de entrar sozinho...) possam arrumar as mesas no meio da rua. Aí a cidade toda vem pra cá.


As pessoas, como era de se esperar, costumam formar pares “diferentes”, tanto homens quanto mulheres, lógico, já que o casamento homssexual aqui em Québec é liberado. Pelo menos são bem respeitosos, e não vêm encher o saco se não damos liberdade. Meu vizinho, por exemplo, um argelino, compartilha a internet comigo, mas não posso dar muita corda quando ele quer papear, porque... pois é.

Outro tipo de gente que tem por aqui são os estudantes, porque aqui é muito perto da UQAM, Université du Québec à Montréal, onde, à princípio, vou fazer meu curso de Francização, que é um curso de francês remunerado, oferecido pelo governo para os imigrantes se integrarem melhor à sociedade. Digo “à prinípio” porque só farei o curso se eu realmente não encontrar emprego na área de design até lá (pois é, a semana não foi das melhores… bola pra frente !).
Seguindo minha rua, um pouco mais pra cima, tem o Parc Lafontaine. Lá, além de um dos campus da UQAM, tem um lago que, durante o inverno congela e vai um monte de gente patinar e tals. Mas é um parque bacana, o pessoal vai lá brincar com o cachorro, tirar foto de esquilo, os casais (os heteros também) ficam namorando nos banquinhos em volta do lago, e tem sempre gente fazendo cooper, mesmo no inverno. Outra vantagem do bairro. A foto aí do título do blog é de lá.


O Rafael, meu primo, me disse que é melhor não usar palavras tipo “apertado”, “sujo” ou “velho” para descrever meu apartamento porque deprecia muito. Então vamos lá. Meu apartamento “tem muitas histórias” e fica no térreo do prédio. A varanda fica de frente pra janela principal, praticamente na calçada. É também minha saída de emergência, logo tenho que ficar de olho pra não acumular neve e eu ter acesso a ela.



Aqui dentro é bem “aconchegante”, ideal pra se morar sozinho (aqui eles chamam de “studio”). Aqui em baixo é meu escritório / sala de TV e videogame / quarto / sala de jantar. Quase todos os móveis foram deixados pelo Eduardo, quando ele saiu daqui. Bom pra mim que peguei o apê já bem funcional.


Eu preciso fazer uma observação: eu não sou muito fã de Beatles, afinal todos sabem que a maior banda de todos os tempos se chamava Dire Straits. Só achei o poster bacana! :)

Agora é meu banheiro / cozinha / despensa / área de serviço:


Eu sei que alguns de vocês devem ter pensado: “poxa, então dá pra você tomar banho e cozinhar ao mesmo tempo, ahahahaha!”. Não, não dá. :

Tem só mais uma foto bizarra que eu preciso mostrar:


Essa é uma imagem de dentro do banheiro, da janela que dá pra fora. Nesse dia estava fazendo algo tipo -25ºC. E aí, posso ou não posso dizer que moro num iglu?

No fundo até que eu estou gostando daqui. Tem muitos bêbados na rua, a coleta do lixo é meio devagar, coisa e tal. Mas aqui estou perto de tudo (do centro, onde tem a cidade subterrânea, da estação de metrô com mais conexões, do parque, etc), é fácil de limpar e é maior que meu quarto em Brasília (eu acho...)! Até!

Sunday, January 11, 2009

Carol no Québec, Uhu!

Oi pessoal!
Brigadão pelas visitas, mensagens de apoio e sugestões para o blog. Piadas sem sem graça, diria até... escatológicas, envolvendo meus DVDs eu vou ignorar, assim como sugestões cretinas, como lamber o poste. Na medida do possível irei incrementando os posts com mais informações práticas, links e fotos (menos com o tal do avental, mesmo porque eu não tenho) sempre que possível. Só pra não deixar furo, este aqui (
www.basiliquenddm.org) é o link da Basílica de Notre Dame de Montreal que eu falei que é cópia da de Paris, mas já aviso que é bem menor.

Bom, vou contar um pouco como foram as aventuras da Carol por aqui, já que ela foi embora ontem. Confesso que achei que fosse ser mais fácil me despedir. O problema é que quando a gente se acostuma com determinada situação (no caso, ela estar aqui me apoiando nos momentos complicados, me acompanhando nos eventos, entrando nas lojas que eu tenho vergonha de entrar sozinho, fazendo comida comível, etc) fica difícil voltar atrás.

Mas vamos às histórias, começando pela chegada dela aqui. Um dia antes eu resolvi ir ao aeroporto de busão pra aprender o caminho. Não sei se vocês sabem, mas o transporte público aqui costuma funcionar muito bem (digo ’’costuma’’ por causa do post passado). Se vocês estiverem à toa, o link do sistema de transporte público daqui é
www.stm.info. Dá pra pesquisar os horários de TODAS as paradas de ônibus da cidade, com precisão assustadora.

Voltando ao assunto, fui ao aeroporto. Tive que pegar o metrô e 2 linhas de ônibus, já que fica bem afastado do centro, que é onde moro. Levei um pouco mais de 1 hora pra chegar por causa do trânsito pós nevasca. No dia da chegada, com tudo cronometrado, cheguei com uns 10 minutos de atraso, mas a tempo de ver o 1º passageiro do voo dela sair. Meia hora depois, nada de Carol e o telefone toca. Ela havia perdido a conexão em NY por causa da imigração americana. Aí vai a dica: quando vocês vierem me visitar, se puderem não passar pelos EUA será uma ótima! Mas enfim, voltei pra casa com cara de pastel (1 hora depois).

Como aquele dia teve uma p*ta tempestade de neve em NY, Toronto e outros lugares que eu não lembro, trocentos voos foram cancelados, inclusive o outro que ela conseguiu pra vir. O seguinte saiu com algumas horas de atraso. Conclusão, às 1:30h da madrugada, finalmente toca a campainha. O que são 15h de atraso pra quem convive com a aviação brasileira, não é?

O fim de semana em que ela chegou foi o da pior tempestade de neve até agora. O bom é que ela teve que se adaptar ao frio rapidinho. Olhem só como ela estava bem à vontade debaixo da neve:



Enfim, Carol em Montreal e pude ficar um pouco menos tenso com as coisas que tem acontecido por aqui. A começar por ela estar me esperando depois da entrevista de emprego mais bem sucedida até agora (aliás, torçam por mim essa semana! :)). Além disso, pude aprender (na marra) um monte de coisa que eu deveria ter aprendido a cozinhar naqueles 15 anos de Grupo Escoteiro (vergonhoso, né?), tipo macarronada, estrogonofe, feijão, bife acebolado, pure de batatas e até filé de salmão!



Nem preciso dizer que comi realmente bem enquanto ela esteve aqui, certo? Agora terei a árdua missão de manter o nível daqui pra frente...

A maioria das nossas aventuras foram descritas no post anterior, mas tiveram outras também, como (finalemente) a viagem de 1 dia à Ottawa, que nós não conhecíamos (eu tentei ir algumas vezes com o pessoal da escola de francês, - Elton, Henrique, Christian... - durante o 1º mês aqui, mas sempre dava algo errado). Pra quem não sabe, é a capital do Canadá e fica bem perto de Montreal, dividida entre as províncias de Quebéc e Ontário. Apesar do frio foi uma viagem bem bacana, principalmente pelo museu das civilizações, que mostra toda a ocupação do país, desde os povos indígenas até os imigrantes. Tudo interativo, tipo brinquedo da Disney.



Também visitamos alguns amigos, como o Julio e a Karla, que conhecíamos de Brasília, das aulas de francês com o Papy, a Cristina, que me hospedou na 1º semana, o casal que hospedou a Carol quando ela veio ano passado, e outros que conhecemos por aqui mesmo, como o Alex (figuraça!), cunhado do Rubens Suffert, do GE, e a esposa Hellen, além do Rafael, designer que eu só conhecia pela internet.

Como eu disse, as coisas estavam realmente fáceis (psicologicamente) tendo a Carol por perto nesses dias. Afinal, estar em um país diferente, com língua, costumes e clima diferentes, tendo que morar sozinho pela primeira vez na vida, não tem sido fácil. E, como disse o Eduardo (que me passou este apartamento) outro dia, ter alguém de confiança por perto, que entenda sua situação in loco e os motivos do seu desespero nas situações complicadas é muito importante nessas horas. E por mais amigos novos que se faça, (essa acho que li no blog do Ricardo, filho da Angela -
www.picoledecandango.blogspot.com - que está em Toronto) não é o mesmo que os velhos amigos, com os quais podemos “lembrar dos velhos tempos”. Agora é esperar a visita dos meus pais, de vocês :) e a Carol finalmente vir em definitivo!



Ficou longo esse post, né? Tentarei ser mais sucinto no próximo (acho que sobre onde moro. Dá um texto... curioso). E em tempo, a Carol perdeu a conexão pra Brasília por causa do atraso do vôo de NY. Repito aquela dica de cima! Até!

Thursday, January 1, 2009

2009

Antes de mais nada, feliz 2009 a todos!

Pensei em começar esse blog de várias maneiras, mas só agora, com exatamente 2 meses de Montréal , começo contando como foram as festas de fim de ano por aqui. Tem um monte de coisas bacanas (outras não) pra contar, mas deixo pra futuras postagens.

Bom, minhas comemorações começaram dia 13, quando a IREBUS fez o tradicional amigo secreto de fim de ano. Eu partcipei com pelo Skype, degustando uma deliciosa lasanha congelada com Sprite, enquanto o povo em Brasília saboreava uma bela ceia de Natal. Pra dizer a verdade bateu aquela dorzinha no coração, mas aguentei firme! (mesmo porque a conexão estava horrível e quase não entendia o que estava acontecendo. Aí fui ficando nervoso...)


Dia 20, finalmente a Carol chegou pra me fazer companhia e me deixar mais contente aqui (outra hora posto sobre a aventura dela), e dia 21 caiu uma p*ta tempestade de neve. Na verdade foi a 3ª em menos de 1 mês, mas nada que nos impedisse de participar das comemorações. Esse foi meu 1º Natal “branco”.



Na véspera, dia 24, fomos à casa do Guilherme e da Dani, um casal de Minas que está passando uns 8 meses por aqui. Além deles, foram outros brasileiros que estão na mesma escola deles (na verdade, a mesma na qual tive 2 semanas de aula quando cheguei). Bom, o casal sendo de Minas, obviamente tivemos uma ceia beeeeeem farta daquela comida mineira que vocês conhecem. Não preciso nem dizer que foi a refeição em que mais me empanturrei até agora, certo? Depois da ceia, o papo tava bom e acabamos perdendo a hora do metro (que pára de funcionar às 00:30h). Conclusão, só conseguimos sair de lá umas 06:30h da manhã.



Dia 25 foi o dia de (finalmente) abrir os presentes que a Carol trouxe do Brasil. Além do presente que ganhei da Vivi no amigo secreto, tiveram os presentes vindos lá de casa, dos meus pais, da Tammy / Gustavo, Schuberts, da Carol... é bom abrir presentes, né? Mas outra vez, bateu aquela dorzinha no coração por não estar abrindo na frente deles (com exceção do da Carol, lógico).

A partir do dia 26 resolvi ir à forra. Fiquei sem comprar praticamente nada pra mim desde que cheguei (quer dizer, comprei comida...), mas começou o boxing week (na verdade se chama boxing day, mas vem durando até hoje), quando os preços caem absurdamente, tipo 80% em alguns casos. Mas é lógico, não pude fazer um estrago maior porque ainda não estou trabalhando (isso está pra mudar, mas mais tarde escrevo a respeito) e preciso fazer alguma contenção. Mas não foram só compras. Também fomos assistir uma missa na Basílica de Notre Dame, que é uma cópia da Catedral de Paris e é um local que vocês tem que visitar quando vierem me ver no Canadá. :)

Finalmente, dia 31 fomos ao Vieux Port pra passagem do ano. Como estavam singelos -20ºC saímos quase que em cima da hora e quase, quase mesmo, perdemos a queima de fogos no Pier. Depois teve uma festa com música irlandesa ao vivo (aqui a colônia é grande) regada a muita alegria, cerveja, quentão (como eu disse, estava -20ºC) etc. Só fizemos um pit stop num bar porque a Carol congelou ao ar livre. Depois congelou de novo porque o metro (de novo o metro!) parou de funcionar depois de 00:30h e tivemos que voltar pra casa à pé (na verdade é mais ou menos perto, mas experimentem caminhar a essa temperatura...).


Chegamos finalmente à hoje, dia 1º de janeiro de 2009, completando 2 meses de Canadá. Fui escrevendo e lembrando de tanta coisa que já aconteceu... Algumas delas vocês devem ter ficado sabendo de uma forma ou de outra, mas à medida que outras novas forem acontecendo farei o possível pra postar aqui. (só não esperem grandes épicos porque sou eu, o Dennis! Lembrem-se disso!).

Saudações à todos e um 2009 FENOMENAL!
Dennis
PS: a Carol também deseja um ótimo 2009 a todos vocês!